Correr ou não em Jejum?

5 anos atrás

Correr ou não em Jejum?

Dia desses estava olhando minhas redes sociais e vi um coach falando que tinha corrido 71km em jejum. Quase caí pra trás quando ele disse que tinha consumido apenas água e isotônico ao longo do percurso. E que a última refeição tinha sido às 15h do dia anterior e foi um rodízio de sushi com poucas peças com arroz.

Fiquei pensando: “como a pessoa consegue correr em jejum sem desmaiar?” Eu já tentei fazer isso e por duas vezes me senti mal. Comecei a suar frio, as vistas escureceram, deu tremedeira…

 

Mas nesta semana, resolvi testar de novo. Aproveitei que tinha ido a um rodízio de carnes e comi muita proteína, muita salada, muita mesmo!! E passei o resto do dia “empazinada”. Foram 18 horas em jejum. Acordei sem fome e fui arriscar a correr meus 7km da planilha em jejum. Não foi o melhor treino da minha vida. Costumo correr essa mesma distância em 35, 39 minutos. Mas como estava com medo de ter um “piripaque” fui mais devagar e fechei o treino em 43 minutos sem tonteira, sem dores e com uma sensação boa.

 

Só depois é que bati um suco detox: água, 1 limão espremido, gengibre, maçã, couve, semente de girassol, gotas de própolis verde, glutamina e uma mistura de chás diuréticos em pó (boldo, carqueja, chá verde). Ainda tomei uma xícara de café e comi dois damascos naturais. E só fiz isso porque em seguida, fui fazer musculação e nadar 1100 metros.

 

Confesso que já testei várias estratégias. Já comi ovos antes de correr. Ovos com bacon. Ou só café com MCT, café com manteiga ghee, canela e óleo de coco… abacate com pasta de amendoim, biscoito de arroz com banana e pasta de amendoim. Mingau de aveia com whey, whey com abacate e por aí vai. Pra fazer longas distâncias, meu corpo respondeu melhor comendo gordura. Não gosto de gel de carboidrato. Não uso e não sinto diferença usando durante a corrida. Mas aprendi a consumir cápsulas de sal com magnésio e potássio. Elas me mantiveram em alerta e resistente até o final de um treino acima de 21km.

 

Cada pessoa precisa procurar a melhor estratégia pra não “quebrar” no dia da prova. O ideal é procurar ajuda de um profissional e adequar seu treino com sua dieta, de acordo com as suas necessidades. O que é bom pra mim pode ser veneno pra você!

 

Os limites do corpo devem ser respeitados. Se você é daqueles que a vida toda comeu pão de sal com leite e café antes de correr, não invente moda de correr em jejum ou zerar os carboidratos da sua vida. Em vez de chegar até o final bem, você vai quebrar no meio do caminho. Pode até passar mal. E tenho certeza que não é isso que você quer! Então, que tal ajustar a alimentação em quanto há tempo? As provas estão chegando e você não pode ficar de fora!

 

O que dizem os especialistas?

 

O raciocínio é simples: com a barriga leve, a chance de ser mais veloz e não sofrer com dores nos órgãos do sistema digestivo é maior. No entanto, o provérbio ‘saco vazio não para em pé’ vale para este caso também.

Segundo o doutor Turíbio Leite de Barros, fisiologista do Esporte Clube Pinheiros e professor de pós-graduação na Unifesp, existem aspectos em ambos os lados a serem considerados. “Há a necessidade de estar com o estoque de carboidrato pleno quando for fazer qualquer atividade física”, explica.

 

O lado positivo do jejum: “É desaconselhável correr com conteúdo no estômago, porque dá desconforto, prejudica o rendimento e predispõe àquela dor aguda no flanco”, ilustra o médico. “Não é proibido correr em jejum, mas é recomendado apenas para corredores avançados que já estão acostumados”, determina.

O lado negativo– Como quem corre sem se alimentar usualmente o faz de manhã, a última refeição em geral foi muitas horas antes e esta “é uma situação em que a disponibilidade de carboidratos no organismo está quase no limite”, conta o fisiologista. “A razão pela qual se contraindica correr em jejum é para evitar uma hipoglicemia (nível baixo de glicose no sangue)”, acrescenta.

Quando o nível de glicose é comprometido, quem sofre são as células nervosas. “É aí que vem o mal estar, a tontura, queda de pressão e até perda de consciência. É a falência de células que são vulneráveis à queda da glicemia”, esclarece o doutor.

 

Fonte: webrun

 

Virgínia Nalon (é jornalista da TV Record, triatleta na Guana, mãe do Seven e filha do Deus vivo!)